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Capitão Ignácio Rodrigues de Miranda - Reginaldo Miranda
Fonte: Reginaldo Miranda | Publicado em: 13/05/2012  
 

Reginaldo Miranda
Presidente da Academia Piauiense de Letras

Há alguns anos escrevi artigo sobre o capitão Ignácio Rodrigues de Miranda, um dos mais antigos representantes de nossa família no sul do Piauí. Naquela oportunidade disse não saber o local e época de seu nascimento, supondo apenas ser ele natural do reino de Portugal.

Todavia, em março do ano passado descobri um depoimento que ele prestou em 10 de outubro de 1786, portanto, há 221 anos passados, em defesa do padre Dionísio José de Aguiar, vigário colado de Oeiras. Foi então qualificado como “natural e morador nesta freguesia (de N. Sra. da Vitória) e da governança desta cidade (de Oeiras), na qual serviu de Ouvidor pela Lei, de idade que disse ser de quarenta e nove anos, pouco mais ou menos, que vive de seus bens, casado”. No termo do depoimento declarou que assistia em sua fazenda, fora da cidade (AHU, Cx. 16, Doc. 832). Em outro documento anterior(26.03.1782) aparece qualificado como “Ouvidor geral pela Lei, Chanceler Juiz das Justificações de Índio e dos Feitos e Agravos da Coroa, Provedor da Fazenda Real e dos Defuntos e Ausentes, Capelas e Resíduos, Vedoria, Auditor Geral da Gente de Guerra, com alçada no crime e cível, nesta cidade de Oeiras e toda a sua comarca e capitania de São José do Piauí, Corregedor e Procurador dela” (AHU, Cx. 16, Doc. 832). Em um terceiro documento (16.06.1783) aparece como “Ouvidor Geral pela Lei e Provedor da Fazenda Real e dos Resíduos e Ausentes, Capelas e Resíduos, Corregedor da Câmara com alçada, Juiz das Justificações de Índio e Mina, e dos Feitos e Agravos da Coroa, Vedor e Auditor Geral da Gente de Guerra e mais anexos, etc” (AHU, Cx. 16, Doc. 832). Por fim, em pleito formulado no ano de 1783, consta: “Diz o capitão Ignácio Rodrigues de Miranda, morador na sua fazenda do Buriti, desta cidade” (AHU, Cx. 16, Doc. 832).

Portanto, com base nessas informações pode-se afirmar que Ignácio Rodrigues de Miranda, nasceu no ano de 1737, na freguesia de N. Sra. da Vitória (Oeiras), residindo em sua fazenda “Buriti”, da mesma freguesia. Era fazendeiro e militar, galgando o posto de capitão de ordenança. Assim, seus ancestrais estão entre os pioneiros da colonização do Piauí.

Ainda em 20 de abril de 1801, despacha pleito de João Nepomuceno de Castelo Branco, ainda na qualidade de Ouvidor geral pela lei, com vezes de corregedor, provedor e mais anexos, com alçada no cível e crime (AHU, Cx. 28, Doc. 1436).

Além do exercício desses cargos, na qualidade de Ouvidor-geral interino, o capitão Ignácio Rodrigues de Miranda integrou a Junta de Governo do Piauí, como seu presidente, no período de janeiro de 1782 a dezembro de 1783, por dois anos consecutivos, retornando à mesma no ano seguinte, depois de breve interregno. Dessa forma, está relacionado entre os governantes da capitania do Piauí, tendo despendido todos os esforços para o desenvolvimento de sua terra.

A verdade é que Ignácio Miranda, por largos anos ocupou os mais elevados cargos públicos na capitania do Piauí. E na carreira militar, foi destacado para o comando militar do rio Piauí, onde se demorou por largos anos, conseguindo pela primeira vez aprisionar onze índios Pimenteiras, em 1790. Foi essa a primeira investida bem sucedida do governo do Piauí, contra aquela nação indígena.

Portanto, com essas notas desejo resgatar a memória desse distinto homem público, cuja vida transcorreu toda a serviço do povo piauiense.

(Artigo publicado no jornal Meio Norte, caderno Alternativo, coluna Academia, edição de 28.12.2007).
 


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