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Miranda - Uma família pioneira do Piauí - Por Reginaldo Miranda
Fonte: Reginaldo Miranda | Publicado em: 07/11/2012  
 

 

Reginaldo Miranda
Presidente da Academia Piauiense de Letras

 

As origens da família Miranda mergulham fundo na história de Portugal e Espanha. Segundo alguns registros, ainda no recuado ano de 714, um cavaleiro de nome Obrão de Miranda, participou de batalhas contra os mouros, aliando-se em 718, ao rei Pelágio, fundador do reino das Astúrias, embrião dos outros reinos cristãos ibéricos responsáveis pela reconquista da península. É possível que seja esse guerreiro cristão o primeiro tronco da família Miranda na península ibérica, com descendência espalhando-se por Portugal e Espanha.

Não resta dúvida, porém, segundo a maioria dos dicionaristas e heráldicos, de que este sobrenome tem origem geográfica, relacionando-se à região norte portuguesa onde se situa a cidade de Miranda. Por essa razão, os primeiros representantes desse sobrenome eram sempre identificados por “de Miranda”, a indicar a região de onde provinham. Foi nessa região, próxima às fronteiras de Leão, que, segundo alguns cronistas, os primeiros portugueses receberam títulos de nobreza e foram governantes de províncias. Portanto, é esta a mais plausível origem dessa família.

Contudo, alguns outros genealogistas preferem apontar uma origem espanhola, também ligada a domínios de terras, com posterior migração para Portugal através de casamentos de nobrezas. A nosso sentir, porém, como a região de Miranda, no norte de Portugal, é fronteiriça com a Espanha, teria aí mesmo surgido os primeiros desse sobrenome, passando para os dois lados da península ibérica, sempre identificados com a origem geográfica “de Miranda”, como a não deixar dúvidas. Grandes representantes dessa família, no outro lado da península ibérica, sempre trouxeram a indicação da origem de seus ancestrais, todos “de Miranda”, e não apenas “Miranda”. Um exemplo é o revolucionário Francisco de Miranda, natural da Espanha e precursor da independência venezuelana.

Antigos registros da descendência portuguesa, esquecidos daquele tal cavaleiro Obrão de Miranda, ou sem fontes documentadas para traçarem a origem da família até aquele vetusto ancestral, somente traçam a origem dessa família aos descendentes de D. Martim Afonso e Emília Gonçalves de Miranda, esta de origem espanhola, além de Fernão Gonçalves de Miranda. Seguramente, é desta descendência que se originou o brasão dos Miranda, hoje consagrado na heráldica e muito conhecido entre os interessados pelos assuntos genealógicos.

Desde cedo, porém, representantes da família Miranda chegaram ao Brasil. É conhecido aquele Simeão de Miranda, que comandou uma das naus da caravana de Pedro Álvares Cabral, que disseram ter descoberto o Brasil para os europeus, em 22 de abril de 1500. Presentes, portanto, desde o tal descobrimento, estão também entre os primeiros colonizadores na nova terra. Existem registros de colonizadores de sobrenome Miranda em praticamente todas as regiões do Brasil: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso; no nordeste, desde cedo chegaram à Bahia e ao Ceará.

No Piauí, os primeiros registros datam de 1712, quando chantre Baltazar de Faria e Miranda foi nomeado vice-vigário da freguesia de N. Sra. da Vitória (Oeiras). Por esse tempo muitos religiosos que vinham catequizar rebanhos no “Novo Mundo”, costumavam trazer parentes, principalmente sobrinhos para colonizarem as novas terras recém-descobertas. Entre nós, o padre Tomé de Carvalho e Silva, primeiro vigário de Oeiras e ainda titular ao tempo de Baltazar Miranda, é um exemplo, ao trazer alguns sobrinhos que iniciaram a família Carvalho, no Piauí. Mais tarde, o padre português João Manoel d’Almendra, vigário de Campo Maior, no Piauí, trouxe os sobrinhos Jacob Manoel d’Almendra e José Almendra de Freitas, que iniciaram as famílias Almendra, Freitas e Gaioso, no Piauí. Portanto, não é nenhum despropósito se pensar que o vice-vigário Baltazar Miranda possa ter trazido para Oeiras alguns sobrinhos para iniciarem vida nesses dilatados sertões de dentro. Desde que tivemos notícia da existência desse religioso em Oeiras, alimentamos essa hipótese porque foi exatamente nessa povoação que encontramos os primeiros membros da família no Piauí. Desde a década de 1730, ou antes, residia na vila da Mocha, hoje Oeiras, nossa ancestral, D. Francisca de Miranda, casada que era com Domingos de Abreu Valadares. Seria ela sobrinha do vice-vigário que trazia o seu mesmo apelido familiar? No momento não temos elemento para responder, sendo apenas uma boa suposição. O que sabemos ao certo é que esse casal era pai de D. Ignácia da Conceição, que em 1746 ou 1747, casou-se com o colonizador português Manuel Alves da Rocha, dando início à família Rocha e outras do sul do Piauí, inclusive aos familiares do autor dessas notas. Nesse mesmo período, ainda no termo de Oeiras, vai surgir outro indivíduo de nome Miranda. Em janeiro de 1764, quando o governador do Piauí arrecadava alimento(gado e farinha) para abastecer a tropa capitaneada pelo tenente-coronel João do Rego Castelo Branco, e que ia ao mato combater os índios Gueguês, Timbiras e Acoroás, fez-se necessária a nomeação de diversos intendentes para promoverem as arrecadações entre os fazendeiros das mais diversas regiões. Então, foram nomeados três intendentes para arrecadarem alimentos no vale do rio Piauí, sendo Francisco Xavier de Macedo designado para as cabeceiras, Francisco Félix de Miranda para o médio curso do rio e lados dele, e Francisco Ribeiro da Silva para o Baixo-Piauí e Itaueira. Portanto, por essa designação vê-se que Francisco Félix de Miranda residia na altura das atuais cidades de São João do Piauí e Canto do Buriti, por cuja região ficou encarregado pela Câmara de Oeiras, da arrecadação de alimento para a tropa de guerra. Também, conclui-se que em sendo designado para tal tarefa, era conhecedor das fazendas da região, estando aí estabelecido desde alguns anos. Ainda no terreno das conjecturas, que ligações teria esse Francisco Félix de Miranda com a anteriormente citada Francisca de Miranda? Irmão? Filho? Sobrinho? Ou nenhum parentesco? Dois Miranda na mesma região, escassa de habitantes brancos, no mesmo período histórico. E o mesmo prenome adaptado para os distintos sexos. Infelizmente, não temos elementos para resposta, esperando que outros consigam aprofundar o conhecimento sobre as origens da família nesse período, esclarecendo as dúvidas existentes. Não há dúvida, porém, de que todos esses indivíduos gozavam de distinção e bom conceito entre seus contemporâneos.

Mais tarde, aparece no cenário social de Oeiras o capitão Ignácio Rodrigues de Miranda. Mais uma vez um nome que coincide com o de Ignácia da Conceição, filha de D. Francisca de Miranda. Seria Ignácio Miranda, filho de Francisco Félix de Miranda?  Não sabemos ao certo, mas colocamos essas dúvidas para servirem de parâmetro para outros pesquisadores, por ventura interessados no assunto. Ambos residiam no médio curso do rio Piauí. Seguramente Ignácio Rodrigues de Miranda residia na fazenda Buriti, hoje cidade de Brejo do Piauí. E gozou de largo prestígio em seu tempo. Era natural da freguesia de Oeiras, conforme declarou em diversas oportunidades, tendo nascido no ano de 1737. Iniciou-se na carreira militar muito cedo, sentando praça no posto de soldado da Companhia Franca de Dragões do Piauí. Em pouco tempo foi promovido a Ajudante do Terço das Ordenanças(as primeiras que foram organizadas no Piauí, posteriormente extintas). Mais tarde(1777), quando foi novamente organizado o Terço de Ordenança do Piauí, teve ele o nome indicado novamente, sendo, porém, recusado pelo general do Estado, porque não se encontrava servindo na tropa ao tempo da proposta. Por esse tempo, a Junta Trina de Governo do Piauí, testemunha ser ele um “homem distinto”. No mesmo ano de 1777, em que ocorrem esses fatos, foi ele nomeado Capitão do Terço de Cavalaria da Capitania de São José do Piauí. Durante os anos de 1782/83, foi eleito Ouvidor-geral do Piauí, e como tal assumiu a presidência da Junta Trina de Governo do Piauí. Portanto, Ignácio de Miranda, em companhia de dois adjuntos(um vereador e um militar), por dois anos governou a Capitania de S. José do Piauí. Posteriormente, em 1790 comandou a tropa militar que marchou para as cabeceiras do rio Piauí, em combate aos índios Pimenteiras. Após alguns entreveros, conseguiu aprisionar onze deles, sendo essa a primeira vez que índios dessa nação foram aprisionados no Piauí. Depois dessa campanha, permanece em sua fazenda Buriti, no médio-Piauí, na mesma região onde antes nos referimos morar Francisco Félix de Miranda, que supomos ser seu pai. É que nomeado pela Junta Trina de Governo, assumiu o comando militar do rio Piauí. Nesse posto permanece até à morte em princípio do século XIX.

Contudo, porque reconstituir genealogia é tarefa complexa, sobretudo quando faltam documentos, surge outra dificuldade sobre a descendência desse militar. Mais uma vez recorremos às probabilidades, ao entender ser ele pai de Joaquim Felipe Nery de Miranda, com quem se inicia documentalmente essa genealogia. Assim pensamos porque, entre outros fatos, este batizou um de seus sete filhos com o nome de Francisco Félix de Miranda(2º do nome) e outro com o nome de Ignácio Francisco de Miranda. E entre seus netos e bisnetos vai se encontrar muitos com o prenome “Ignácio” e outros com nome e sobrenome “Rodrigues de Miranda”. Inclusive, o próprio era tratado ora por Felipe Nery de Miranda, ora por Felipe Rodrigues de Miranda(muitas vezes sem o prenome Joaquim). Ainda, Joaquim Felipe Nery de Miranda, embora residente no vale do rio Itaueira, termo de Jerumenha, próximo aos limites com Oeiras, possuía uma propriedade denominada Buriti, nesse último termo. E o capitão Ignácio Francisco de Miranda, seu filho, por muito tempo residiu na cidade de Oeiras, onde casou-se, demonstrando a ligação deles com aquela cidade, berço dos primeiros Miranda aqui relacionados. Portanto, são essas as razões pelas quais deixamos anotadas essas ilações.

Não pense, porém, o leitor que nessa pesquisa trabalha a fantasia, sendo ela toda calcada em fonte documental, principalmente autos de inventário e livros de registros de nascimentos, casamentos e óbitos. Formado em Direito em julho de 1988, desde então me iniciei na advocacia, nos primeiros anos com quase toda a clientela no sul do Piauí. E nos primeiros três anos de advocacia, por todas as comarcas que militei, desde Floriano a Jerumenha, Bertolínia e Bom Jesus, onde me levavam os interesses dos clientes, aproveitei sempre essas oportunidades para bisbilhotar os arquivos judiciais e restaurar o passado dessa família sul-piauiense a que tenho a honra de pertencer. Complementei esses dados com pesquisas no Arquivo Público do Piauí, meu velho conhecido desde a elaboração de um livro anterior sobre a cidade de Bertolínia, onde nasci. Foram três anos de pesquisa, ao fim da qual elaborei uma apostilha impressa e encadernada que traz na capa o ano de 1991. Desde então, conhecidas as informações centrais que fazem as ligações de Joaquim Felipe Nery de Miranda com as atuais gerações, deixei essa apostilha numa gaveta e de vez em quando anotava com uma caneta um dado novo fortuitamente encontrado. Assim nasceu a árvore genealógica da família Miranda.

Por fim, as probabilidades sobre a ascendência de nosso ancestral Joaquim Felipe Nery de Miranda, ficam como sugestão para outros interessados que desejem investigar as origens mais remotas dessa família. Pode ser que não se confirme, no entanto, é o que se nos afigura provável para o momento, à falta de documentação esclarecedora. Recomendo, de qualquer forma, a análise de registros eclesiásticos das freguesias de Oeiras e Jerumenha, documentação judicial da comarca de Oeiras, além de requerimentos e registros de sesmarias. A análise demorada dessa documentação esclarecerá essas dúvidas, pois certamente existirão registros, vez que todos esses primeiros ancestrais foram militares, proprietários rurais, membros de câmaras municipais, juizes ordinários, etc., não sendo impossível se encontrar anotações sobre eles. A quem interessar, fica aberto o caminho através dessas primeiras informações.

Também, gostaria de lembrar que essas informações genealógicas visam dar conhecimento aos descendentes e a quem interessar possa, sobre as origens da família Miranda e de outras que lhe são entrelaçadas. Traz o caule e os principais galhos da árvore, sem atualização das ramificações mais recentes. É que anotei apenas os dados que encontrei nos arquivos. Não fui buscar informações nos descendentes atuais desses ramos, porque acho enfadonha essa tarefa de incomodar os parentes com busca de informações pessoais. Sabe-se que, nessa luta renhida pelo capital, nem todos dão valor a estudos genealógicos. E para evitar dissabores preferi não incomodar ninguém. Fico, porém, à disposição daqueles que desejem atualizar seus dados ou de seus respectivos ramos familiares, bastando me enviar as informações pelos correios ou via e-mail, a fim de que possam constar na árvore genealógica da família. O farei com o maior prazer. Por essa razão, as disponibilizo na Internet, para facilitar a complementação. Por oportuno, esclareço que os dados da descendência do major José Felipe Nery de Miranda, nosso ancestral, quase todos sem o apelido Miranda, estão um pouco mais atualizados porque esses descendentes também são pertencentes à família Rocha, do sul do Piauí, e tiveram a sua árvore genealógica atualizada recentemente, de onde retirei algumas informações sobre pessoas mais recentes. Frise-se que além de eu ter participado daquela reedição (3ª), cedi os originais desse livro para complementar aquela, de forma que se comparando a terceira edição com as anteriores de Dados Genealógicos da Família Rocha, vai se verificar que muitas informações por mim levantadas foram ali incorporadas, com a minha aquiescência, constando, inclusive, na bibliografia. A bem da verdade, deixamos de traçar nesse estudo a genealogia completa da família Rocha, a que também pertencemos e sobre a qual temos muitas anotações, porque a mesma já foi levantada por outros pesquisadores, sendo desnecessário repeti-los. Por fim, outro fator que atrasou a publicação desse estudo foi a necessidade de complementar a ascendência das famílias Brasil, Rodrigues, Santana, Martins e Ramos, do meu pai, cuja tradição familiar remonta ao capitão Roberto Ramos da Silva(Roberto da Cachoeira), fazendeiro estabelecido na fazenda Cachoeira, divisa do Piauí com Pernambuco, também entrelaça aos Miranda. É que sendo descendentes do português estabelecido no Piauí, Valério Coelho Rodrigues, passaram para a divisa de Pernambuco, hoje Município de Afrânio(PE), e dali algumas gerações retornaram ao Piauí, de qualquer forma obrigando uma pesquisa em Pernambuco, a fim de fazer a ligação entre as gerações. Infelizmente, ainda não temos essas informações.

 

***

 

CAPITÃO JOAQUIM FELIPE NERY DE MIRANDA(assinava-se: Felipe Nery de Miranda), fazendeiro piauiense, n.c.1772, residente na fazenda Tabuleiro Grande, na ribeira do Itaueira, naquele tempo pertencente ao termo de Jerumenha, depois, sucessivamente da Manga, de Floriano, de Itaueira, de Rio Grande do Piauí e, por último, de Pavussu, onde veio a falecer ab intestato no dia 9 de maio de 1828; c. 1797 c. c. D. QUITÉRIA VIEIRA DE CARVALHO, que lhe sobreviveu, sendo ela filha do tenente Hilário Vieira de Carvalho (2.º do nome – ver I NOTA), Juiz Ordinário e Órfãos, residente na fazenda Várzea Grande, do termo de Jerumenha, onde faleceu em 1813, e de D. Josefa Maria da Conceição; n. p. de Hilário Vieira de Carvalho (1.º do nome), fazendeiro, residente na fazenda da Volta, arrematador dos dízimos da Capitania do Piauí durante os anos de 1725 a 1727 e 1740 a 1742 e de D. Maria do Rego (esta filha do Capitão-mór Manoel do Rego Monteiro); bisneta de José Vieira de Carvalho e Maria Freire da Silva, casal paulista de origem portuguesaque entrou no Piauí na bandeira de 1719, fundando um arraial de paulistas que deu origem à cidade de Paulistana(PI); eram devotos de Nossa Senhora da Conceição; do entrelaçamento matrimonial, nasceram sete filhos, com idades em 1828, segundo consta no inventário do genitor:

F.1- Major José Felipe Nery de Miranda           - 29 anos;

F.2- Manuel Felipe de Miranda                        - 25 anos;

F.3- Francisco Félix de Miranda                       - 20 anos;

F.4- Thereza Maria da Conceição                     - 16 anos;

F.5- D. Leandra Maria da Conceição                 - 15 anos;

F.6- Cap. Ignacio Francisco de Miranda            - 13 anos;

F.7- Carolina Maria da Conceição                     - 10 anos;

            

                                    

Destes, D. Leandra Maria da Conceição, n. em 1813, casou-se e transferiu-se para o termo de Pilão Arcado, na Bahia, onde deixou filhos, já não existindo em 1867. Nada sabemos informar a respeito do destino de Thereza e Carolina. Teriam seguido a irmã para a Bahia? Faleceram solteiras? Casaram e não tiveram filhos? É difícil asseverar. Por essas razões, a descendência do capitão Joaquim Felipe Nery de Miranda, será traçada apenas por seus filhos varões. Sempre há a esperança de que um dia alguém possa complementar esta pesquisa.

Nos livros de registros de correspondências da capitania de S. José do Piauí, arquivados no Arquivo Público Estadual encontramos duas missivas do governador D. João de Amorim Pereira a Felipe Nery de Miranda, datadas do ano de 1799, então com a patente de porta-estandarte. Interessante é que a primeira dessas missivas o trata por Felipe Rodrigues de Miranda, talvez em alusão ao nome de Ignacio Rodrigues de Miranda. A segunda, certamente com os dados da resposta, já o trata pelo nome correto. A título de registro histórico seguem na íntegra. A primeira correspondência se reporta às diligências militares de que esse Miranda era encarregado e sobre a dispensa de alguns moradores encarregados das fazendas do Real Fisco:

 

“Carta ao Porta Estandarte Felipe Roiz de Miranda.

‘Chegando a mim a notícia por várias vezes que V.M.ce chama para o exercício não só aos vaqueiros das fazendas do Real Fisco, mas também aqueles que se hão empregados nas obras das mesmas fazendas como o carpina que atualmente se acha fazendo carros e mais acessórios das ditas fazendas vou declarar a V.M.ce que as pessoas que se declarem como essa mencionada, ocupadas no indispensável e ativo serviço das fazendas de Sua Mag.e não se deve enquanto este durar distrair das suas ocupações tão essenciais para a conservação do patrimônio Real// Deus guarde a V.M.ce. Palácio de Oeiras 10 de Setembro de 1799/ Dom João de Amorim Pereira/ Snr. Porta Estandarte Felipe Roiz de Miranda”(CABACap. Cod. 157. P. 194).

 

No mesmo sentido da primeira, também essa segunda correspondência se reporta à disciplina militar de vaqueiros e demais empregados das fazendas do Real Fisco, sob responsabilidade do Porta-Estandarte Felipe Miranda. Era ele responsável pela disciplina militar em sua região.

 

“Carta ao Porta Estandarte Felipe Nery de Miranda.

‘Pelo portador foi entregue nesta Secretaria a carta que V. M.ce me dirigiu inclusa a que recebeu do seu comandante cuja volta outra vez. Tendo determinado a V.M.ce assim como a todos os mais encarregados da disciplina militar o que se deve obrar com os vaqueiros e mais pessoas empregadas no serviço das fazendas do Real Fisco, o mesmo seu comandante me propôs o que V.M.ce lhe representou respeito o acharem-se disciplinados os soldados dessa Ribeira sobre cujo assunto lhe ordenei o que havia de fazer. Deus guarde a V.M.ce. Palácio de Oeiras 9 de Outubro de 1799/Dom João de Amorim Pereira/Snr. Porta Estandarte Felipe Nery de Miranda”(CABACap. Cod. 157. P. 212).

 

Portanto, são esses alguns dados sobre esse nosso antepassado da família Miranda, do centro-sul do Piauí. No tempo da correspondência supra, ocupava o posto de porta-estandarte, depois foi promovido, sendo reformado no posto de capitão de um dos regimentos da capitania. A seguir, algumas notas sobre sua descendência.


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