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Joaquim Nogueira Paranaguá
Fonte: Reginaldo Miranda | Publicado em: 20/04/2012  
 

Reginaldo Miranda
Presidente da Academia Piauiense de Letras

 

Desejamos relembrar a trajetória do médico, escritor e político Joaquim Nogueira Paranaguá, nascido 11 de janeiro de 1855, na fazenda Cruz, do atual Município de Corrente(PI). Era filho do comendador José Francisco Nogueira Paranaguá e de Isabel de Jesus Pacheco Nogueira.

Cursou as primeiras letras em sua terra natal, mudando-se para São Luís do Maranhão em 1869, aos quatorze anos de idade, onde deveria concluir o curso de humanidades e ingressar no de Teologia.

Porém, sem vocação para a vida eclesiástica, mais tarde o biografado abandona o Seminário e dirige-se “para a Bahia, buscando novas fontes de conhecimento e de satisfação à sua inquietude cultural e espiritual”, como mais tarde vai lembrar seu filho Correntino Paranaguá. Em 1877, veio a ingressar na Faculdade de Medicina da Bahia, concluindo o curso médico em 1882 com a defesa de tese sobre Composição do sangue.

Idealista, ainda ao tempo do curso na Bahia, em contato com as idéias liberalizantes dos colegas e professores, abraçou a causa abolicionista e as idéias republicanas. Terminado o curso de Medicina e já integrado na atividade política, esteve no Rio de janeiro, onde passou dois meses em contato com as lideranças das campanhas abolicionistas e republicanas, buscando a melhor orientação para o proselitismo a que se ia dedicar na sua terra natal.

De volta ao Piauí, estabeleceu-se profissionalmente na cidade de Amarante, na época uma importante praça comercial e porta de entrada do sul do Piauí e Maranhão. Mesmo contrariando alguns parentes monarquistas e escravocratas, iniciou sua pregação republicana e abolicionista, o que lhe granjeou respeito, admiração e seguidores entre os simpatizantes daquela causa. Esse fato culminou com sua eleição para deputado provincial em 1884, apoiado pelos republicanos. Consta que foi novamente eleito em 1888, pelo Partido Republicano, em pleno Império.

Com a proclamação da República, em 1889, já era um dos esteios da causa republicana no Piauí. Então, sem muita dificuldade assumiu o cargo de vice-governador do Estado, em 1890. E com o afastamento do governador Gregório Taumaturgo de Azevedo, assumiu a titularidade do cargo de governador no período de 04 de junho a 23 de agosto de 1890. Durante essa curta gestão administrativa, lutou arduamente pelo engrandecimento de seu Estado, dedicando-se à reforma da instrução pública, criando escolas, estimulando as comunicações e estendendo a navegação do rio Parnaíba até Colônia, hoje Floriano, por ele elevada à categoria de cidade. Empenhou-se ao máximo para pacificar a política piauiense.

 

Concluída sua passagem à frente do governo do Piauí, Nogueira Paranaguá foi eleito deputado federal constituinte, em 1890. No exercício desse mandato lutou tenazmente pela mudança da Capital Federal do Rio de Janeiro para o interior do País. Tornou-se signatário do projeto Lauro Muller, também chamado projeto dos noventa, em virtude do número dos subscritores e que determinava “a posse pela União de uma zona de 400 léguas quadradas no Planalto Central da República, na qual será oportunamente demarcada para nela estabelecer-se a futura Capital Federal”. Permaneceu no exercício do mandato por toda a primeira legislatura republicana, ao final do qual foi reeleito.

Em 1897, com o fim de seu segundo mandato na Câmara Federal vai eleito senador da República, no exercício de cujo cargo permaneceu até 1906. Nessa época representava as forças políticas de oposição ao Governo do Estado. No exercício de seu mandato no Senado reativou a luta pela mudança da Capital Federal inclusive apresentando projeto nesse sentido.

Ao fim de quinze anos de mandatos parlamentares na esfera federal, retorna ao Piauí em 1906, dedicando-se ao exercício da medicina e à atividade pecuária. Anos depois, em 1918 voltou a candidatar-se ao Senado Federal, sem conseguir eleger-se.

Exerceu ainda os cargos de Inspetor Sanitário do 3.º Distrito do Piauí e médico da Santa Casa de Misericórdia de Teresina. Fundou em Corrente, às suas custas, um jardim de infância e o Instituto Batista Industrial.

Homem de cultura elevada, publicou os seguintes livros: Composição do Sangue - tese de doutorado(1882); Do Rio de Janeiro ao Piauí pelo interior do País – Impressões de Viagem(1905); O fumo e seus efeitos no organismo humano(1912); Higiene Social(1919); Que deve uma menina saber aos 12 anos?(1916); e, Os liberais.

Joaquim Nogueira Paranaguá foi casado com a senhora Emma Weguelin, descendente de suíços, com quem teve quatro filhos. Faleceu na cidade de Teresina(PI), em 1926. Foi um parlamentar de larga atuação e pioneiro da construção da capital federal no Planalto Central.

(Artigo publicado no jornal Meio Norte, coluna Academia, edição de 14.10.2011)


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