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Brejo do Buriti - Reginaldo Miranda
Fonte: Reginaldo Miranda | Publicado em: 13/05/2012  
 

Reginaldo Miranda
Presidente da Academia Piauiense de Letras

“A 24 (de abril de 1779) partimos para a fazenda Buriti com três léguas, passando o Riacho Fundo por cima de um pau(...). A 25 fomos jantar ao retiro da Vargem Grande com três reses fugidas em distância de duas léguas, e dormir ao retiro Marruás, passando-se tudo à cabeça no Riacho de Santa Maria. (...). A 4 (de maio, quando de regresso) viemos jantar aos Macacos, e dormir a uns boqueirões cabeceiras do Brejo do Buriti; (...). A 5 passando as cargas à cabeça por baixo de uma lapa de pedra viemos jantar ao Buriti com três léguas, ficando-nos cansado um cavalo de El Rey, e se prenderam dois soldados por maltratarem os cavalos, recomendando-se os cavalos cansados ao capitão Miranda para os mandar entregar ao capitão Torres”. Esses são excertos do Diário dos mais notáveis acontecimentos da Guerra aos Pimenteiras, escrito pelo Ajudante Antonio do Rego Castelo Branco por expediente do Comandante Tenente-Coronel João do Rego Castelo Branco, em 30 de julho de 1779 (Fonte: Os Pimenteira e a campanha de João do Rego Castelo Branco – 1779. Ana Stela de Negreiros Oliveira. In: História do Índios do Piauí – Claudete Miranda Dias - Organizadora).

Nesse texto há referência expressa à fazenda Buriti, de propriedade do capitão Ignácio Rodrigues de Miranda, localizada na margem do Riacho do Brejo, também chamado Brejo do Buriti, afluente do Riacho Fundo, que entra no rio Piauí. No Mapa do Piauí de Henrique Antonio Galluzzi(1760), aparece como fazenda com capela. Nesse tempo pertencia ao seu pai, Francisco Félix de Miranda, um dos intendentes que arrecadou mantimentos no médio curso do rio Piauí e adjacências, para a guerra contra os Gueguês(1764). Parece que este último era português e foi o pioneiro de nossa família no centro-sul do Piauí, aonde chegou no primeiro quartel do século XVIII. A fazenda Buriti foi o berço de Ignácio Rodrigues de Miranda, que aí nasceu no ano de 1737. É, assim, o berço de nossa família no Piauí. O capitão Ignácio Rodrigues de Miranda foi um político de grande expressão no Piauí colonial, ocupando relevantes cargos, como vereador de Oeiras, ouvidor geral, capitão de ordenanças e membro da Junta de Governo do Piauí. Portanto, chegou a governar o Piauí, juntamente com dois outros. É o mais ilustre filho do Brejo. Seus dados biográficos já traçamos em outra oportunidade.

Por esse tempo é bom se esclarecer que a fazenda Buriti pertencia ao termo de Oeiras, passando, sucessivamente para os termos de São Raimundo Nonato, São João do Piauí e Canto do Buriti. Depois passou a ser conhecida simplesmente por Brejo. No segundo quartel do século XX iniciou-se uma feira no lugar, que, a partir de 1948 foi animada com a participação dos lavradores Auto Casimiro e Roseno de Souza. Em 1938 o professor Joaquim da Silva Brasil, avô paterno do autor dessas notas, andou alfabetizando crianças e adultos no lugar, tendo aí nascido seu filho Abdon Rodrigues da Silva. Depois mudaram para o Gurguéia.

E continuando o seu progresso o povoado Brejo, antiga fazenda Buriti, foi emancipado politicamente pela lei estadual n.º 4680, de 26 de janeiro de 1994, com território desmembrado de Canto do Buriti. A instalação oficial deu-se em 1.º de janeiro de 1997. É hoje a cidade de Brejo do Piauí. Melhor seria Brejo do Buriti, em homenagem à sua história.

(Artigo publicado no josnal Meio Norte, página Academia, edição de 30.12.2011).
 


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