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Celso Barros COelho - Por Reginaldo Miranda
Fonte: Reginaldo Miranda | Publicado em: 18/05/2012  
 

Completou noventa anos de idade o nosso ilustre confrade Celso Barros Coelho, um dos luminares da advocacia brasileira. Nasceu o notável jurista em 11 de maio de 1922, na pequena cidade de Pastos Bons, sertão maranhense, filho de Francisco Coelho de Sousa e Alcina Coelho.

Iniciou as primeiras letras em sua terra natal, sob orientação das professoras Maria de Lourdes Coelho e Heloísa de Gusmão Castelo Branco. Não demorou, porém, a passar ao Piauí, primeiro para a cidade de Uruçuí, onde em companhia de parentes prosseguiu os estudos, mudando-se, depois para a cidade de Teresina, onde deu vazão à sua sede de conhecimento. Estudou no Seminário Menor e, mais tarde, na Faculdade de Direito, onde bacharelou-se em 1952.

Iniciou no magistério desde cedo, levado pelo jovem mestre Amandino Teixeira Nunes, na Escola do Prof. Felismino de Freitas Weser. Aí conheceu a jovem Maria de Lourdes Freitas, filha do diretor-proprietário, com quem contraiu matrimônio, gerando 4 filhos, hoje todos bem situados na vida profissional. Permanecendo no magistério, mais tarde vai lecionar na mesma Faculdade de Direito, no sucedâneo Departamento de Direito da Universidade Federal do Piauí(UFPI) e nos cursos de Pós-Graduação da Escola de Magistratura do Estado do Piauí(ESMEPI) e Escola de Advocacia do Piauí(ESAPI), em cujos cursos fui seu aluno, absorvendo algumas de suas sábias lições.

Outra grande vocação do mestre Celso Barros foi a advocacia, em cuja atividade permanece em pleno exercício, por cerca de 60 anos. Civilista de largos recursos, ético e seguro, constitui-se num símbolo autêntico da advocacia piauiense, uma referência para todos nós. Nos anos de chumbo da ditadura militar, embora com seus direitos políticos injustamente cassados, presidiu a seccional piauiense da Ordem dos Advogados do Brasil(OAB-PI), transformando-a em trincheira da resistência democrática em terra mafrensina.

O seu senso de justiça, a sua intransigente luta pela liberdade e pela redenção dos povos, ele canalizou para a atividade política, outra de suas grandes vocações, militando com destaque no Partido Democrático Cristão(PDC), no Movimento Democrático Brasileiro(MDB) e em seu sucedâneo, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro(PMDB), em cuja legenda ainda permanece, tendo se afastado em breve interregno, por divergir de algumas ações então praticadas. Orador brilhante, empolgando as multidões em grandes comícios populares, Celso Barros foi sempre bem votado na Capital e nas principais cidades, elegendo-se deputado estadual em 1962 e federal pelo Piauí, em duas legislaturas(1975 – 1979 e 1983 – 1987). Na Câmara Federal sua atuação foi brilhante, participando das grandes decisões e honrando o nome de nosso Estado. E, porque naquele tempo estava em evidência a elaboração de um novo Código Civil, o jurista e deputado Celso Barros foi convidado para relatar a parte concernente ao Direito das Sucessões, no que houve-se com distinção. A convite do governador Siqueira Campos, trabalhou assiduamente na implantação do novo Estado de Tocantins, responsabilizando-se pela elaboração do anteprojeto das principais leis.

Intelectual irrequieto, portador de vasta cultura apreendida em longas horas de estudo, Celso Barros Coelho é autor de uma dezena de livros. Na Academia Piauiense de Letras, ingressou no ano de 1967, onde é assíduo freqüentador, dando tom ao debate acadêmico, ao lado de seu colega M. Paulo Nunes e alguns outros de sua geração literária. Presidiu o sodalício no período de 1998-1999, promovendo importantes realizações, como publicação de livros, lançamento de coleções e realização de ciclos de debates e conferências, entre outras. Pertence a diversas outras instituições culturais do País e recebeu diversas homenagens e condecorações.

Celso Barros Coelho, estimado mestre de gerações, é nome de referência na política, no magistério, na literatura e na advocacia piauiense. Foi uma honra ser seu aluno na escola formal, e ainda continuo a sê-lo fora da escola. Ouvi-lo é aprender sempre. É com muito orgulho que sento ao seu lado, como um de seus pares na Academia Piauiense de Letras. Parabéns, mestre de vida escolar, colega de profissão e confrade de academia! Que nossa convivência perdure por muitos anos! Abraço fraterno.
 


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